SOBRE OS CUPINS.
Os cupins são insetos conhecidos por nós pelo hábito de se alimentarem de celulose, atacando por esta razão papéis, livros, estruturas de madeira, ou qualquer outro material derivado deste composto.
Os cupins existem na Terra há muito mais tempo que o próprio homem, sendo que restos fossilizados destes insetos já foram encontrados em formações geológicas datadas de 55 milhões de anos. Durante todo este período, os cupins têm desempenhado um papel fundamental no meio ambiente, na decomposição de matéria orgânico ao solo, contribuindo para a incorporação de nutrientes e fertilidade do solo.
No entanto, desde que o homem começou a construir habitações ou estruturas de madeira, é que se conhecem os danos causados por este inseto. A própria denominação "cupim" é mais antiga que o Brasil, tendo sua origem na língua Tupi e significando "montículo", em referência ao formato do ninho de uma determinada espécie de cupim encontrado no interior do Brasil.
O texto que apresentamos aqui procura ajudá-lo na identificação dos cupins e dos danos que causam, contribuindo para que encontre uma solução para os eventuais casos de ataque.
QUE PÓZINHO É ESSE?
Quando alguém faz esta pergunta, prepare-se: pode ser cupim ou pode ser broca. Veja abaixo como identificar se é um ou outro.
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Tem um pózinho no meu armário!
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A minha porta está cheia de furos!
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Encontrei um montinho de grânulos no meu guarda-roupas!
Quem já não observou estas ocorrências dentro de casa, ou embaixo da porta, dentro de um armário ou no telhado? Este "pózinho" na verdade, pode ser muito diferente e servir para identificar o inseto que está atacando o seu patrimônio. Fique atento para as principais diferenças entre os "pózinhos" para que possa identificar a melhor maneira de controlar estes insetos.
ENTÃO QUAL INSETO ESTÁ ATACANDO ?
Se você encontrar um pó fino semelhante a talco, ou uma serragem pequena trata-se de um ataque de broca de madeira. As brocas de madeira são besouros cujos ovos são depositados em peças e estruturas de madeira, bambú, cana da índia, etc. Ao eclodirem as larvas, estas iniciam sua alimentação realizando galerias na peça de madeira infestada, e expelindo um pó fino originado desta atividade. Quando cessa o aparecimento do pó, a larva completou seu desenvolvimento e se prepara para empupar. Após algumas semanas ou meses (dependendo da espécie), emerge o adulto e o ciclo da vida continua.

1 - Larva de uma broca de madeira 2 - pó decorrente de sua atividade
A presença de grânulos secos e duros, de coloração clara a avermelhado e até escuras, indica atividade de cupins de madeira seca. Estes grânulos são fezes, expelidas das galerias realizadas na estrutura ou peça de madeira. A coloração pode variar conforme a cor da madeira. As fezes escuras (quase pretas) sugerem uma atividade ocorrida há alguns anos e que revoadas de cupins alados (reprodutores) já devem ter ocorrido; nesta fase não encontramos mais insetos e somente os danos ocasionados.
 
1-Operário 2 – grânulos (fezes) do cupim de madeira seca
foi introduzida no Brasil provavelmente no século passado e, mesmo sendo a principal espécie em áreas urbanas da região sudeste do Brasil, pouco é conhecido sobre sua biologia. Apesar de ser chamado "cupim de solo" ou "cupim subterrâneo" o ataque destes insetos pode ocorrer nos andares mais altos de edifícios, onde até mesmo revoadas podem ser vistas. Encontra-se muitas vezes em floreiras ou canteiros em coberturas de edifícios, já tendo sido observada a atividade deste cupins em tuias e outras plantas. É comum ocorrer infestações destes cupins em árvores vivas e/ou raízes, inclusive com ninhos suplementares. Plantas ornamentais comuns em nossa cidade como sibipiruna, guapuruvu, jacarandá-mimoso, quaresmeira, palmeiras diversas, falsa seringueira, acácia, ipê, paineira, álamo, figueira, abacateiro, flamboyant, manacá, jasmim, alecrim, cássia, alfeneiro, pinheiros, eucaliptos, tipuana e muitas outras podem ser infestadas por esta espécie podendo acarretar sua morte.
 
 
1- Cupim Operário 2- Rainha e Rei 3- Pedaço de ninho 4- Caminho em edifício
CONTROLE E PREVENÇÃO DE CUPINS
O controle de cupins em áreas de paisagismo urbano está intimamente relacionado com o conhecimento e a análise criteriosa de cada caso. É necessário portanto, antes do início do trabalho, a identificação correta da espécie e o dimensionamento de seu ataque. Em seguida, deve-se analisar as condições dos locais atingidos para desenvolver a metodologia e eleger o inseticida mais adequado, para ser aplicado de maneira segura. A aplicação de medidas preventivas visa tentar evitar o ataque dos cupins antes de seu aparecimento, envolvendo custos que nem sempre são aceitos pela sociedade. Este ainda é o melhor meio de proteger parques e jardins, contra as infestações pelas diversas espécies de cupins.
Peças e estruturas de madeira: O tratamento corretamente realizado elimina a infestação e previne a reinfestação devido a ação residual do inseticida. O tratamento de alguns tipos de peças como televisores, toca-discos, rádios e pianos é dificultado em virtude do líquido não poder atingir outras partes além da madeira. O tratamento é realizado por meio de pincelamento, pulverização, injeção ou imersão
Ninhos subterrâneos: Com o maior conhecimento do comportamento dos cupins subterrâneos, novas tecnologias foram criadas visando um controle mais efetivo destes insetos, através do uso de iscas. Este método já empregado em outros países, consiste em colocar armadilhas celulósicas ao redor de uma edificação, ou ainda em uma área de paisagismo, de modo que o cupim durante a procura de alimentos (forrageamento), possa encontrá-las. Ao ser detectada a presença de cupins nas armadilhas a isca celulósica que se encontra lá dentro é substituída por uma isca que contenha substância reguladora de crescimento, da qual o cupim passará a se alimentar. O operário voltará então à colônia e alimentará seus companheiros através da trofalaxia, contaminando gradativamente toda a colônia. Este produto irá atuar no crescimento das formas jovens, impedindo a muda e, consequentemente, não permitindo o desenvolvimento das formas imaturas. A grande vantagem deste método é a completa eliminação da colônia, o que pode não ser conseguido com o tratamento químico convencional. Não se descarta, entretanto, a possibilidade deste método vir a ser utilizado junto com outros métodos, visando o controle integrado de cupins subterrâneos.

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